A porta está aberta, ninguém diz onde
3.809 sites de empresas lidos em doze países: só 37 fecham a porta aos motores de resposta. O buraco está em outro lugar. Oito páginas iniciais em dez dizem quem você é, três em dez dizem onde.
1,0%
dos sites bloqueiam os motores de resposta
Neste artigo
Resposta curta: o medo que te vendem é o do bloqueio, e ele é falso. Em 3.809 sites de empresas lidos em doze países, 37 fecham a porta aos motores de resposta. Trinta e sete. O problema está em outro lugar, e é mais banal: 85,4% das páginas iniciais dizem quem você é, e só 30,2% dizem onde. Um motor de resposta responde a uma pergunta local. Sem lugar, ele não tem o que responder.
30,2%
citam a cidade no título da página
15,7%
passam nas três verificações
Desbloquear um robô que você nunca bloqueou não muda nada. Escrever o nome da sua cidade no título da sua página leva trinta segundos.
O que medimos, e como refazer sem a gente
Nos dias 9 e 10 de setembro de 2026, lemos 3.809 sites de empresas em doze países: consultórios, clínicas, lojas, agências. Nenhum motor consultado, nenhuma chave de API, nenhum centavo. De duas a três requisições HTTP públicas por site, das que qualquer um faz pelo navegador.
Três verificações, e um princípio só: medir apenas o que a própria empresa consegue conferir em trinta segundos.
Os motores de resposta podem ler a página?
O arquivo `robots.txt` libera OAI-SearchBot, ChatGPT-User, Claude-SearchBot, Claude-User, PerplexityBot e Perplexity-User.
Uma máquina sabe quem você é e onde fica?
Um bloco `JSON-LD` do tipo `LocalBusiness` ou `Organization`, com nome, endereço, telefone e horários.
O título da página traz o nome da empresa e a cidade?
É a primeira linha que um motor lê, a única que ele sempre mostra, e a que o visitante vê na aba do navegador.
A porta está aberta, e isso não é boa notícia
É preciso separar duas famílias de robôs, e confundi-las transforma a medição em espantalho. Os robôs de resposta buscam a página no momento em que alguém faz a pergunta: bloqueá-los tira você da resposta. Os robôs de treinamento alimentam os modelos: bloqueá-los é uma escolha empresarial totalmente legítima e não custa nenhuma citação.
37 sites entre 3.809 bloqueiam os robôs de resposta, ou seja, 1,0%. E 111 bloqueiam o treinamento, 2,9%, o que não contamos como defeito. Em outras palavras: em 99 casos de 100, a porta que o mercado se oferece para destrancar nunca esteve fechada.
| Robô | Sites que bloqueiam | Parte |
|---|---|---|
| GPTBot | 99 | 2,6% |
| CCBot | 92 | 2,4% |
| ClaudeBot | 87 | 2,3% |
| Google-Extended | 80 | 2,1% |
| Applebot-Extended | 77 | 2,0% |
O que falta é o lugar
85,4% das páginas iniciais citam a empresa no título. 30,2% citam a cidade. Essa diferença de cinquenta e cinco pontos é o assunto inteiro deste artigo.
Um motor de resposta quase nunca responde a «que empresa é essa». Ele responde a «um dentista em Rouen», «uma imobiliária em Kraków», «um contador em Genebra». Para colocar você nessa resposta, ele precisa ligar duas coisas: um nome e um lugar. Dizer o nome é o mínimo, e oito em cada dez fazem isso. Dizer onde fica é o que quase ninguém faz, e é exatamente o que a pergunta pede.
O bloco estruturado aparece em 45,9% dos sites. É melhor que a cidade no título, e ainda assim é menos de um site em dois. No total, 15,7% passam nas três verificações; 41,6% passam em apenas uma.
Doze países, e eles não concordam
A diferença entre mercados é o resultado mais nítido da medição, e ela não acompanha nem a riqueza nem a maturidade digital. Acompanha um hábito de redação.
| Mercado | Sites lidos | Três de três | Identidade legível | Cidade no título | Resposta bloqueada |
|---|---|---|---|---|---|
| Emirados Árabes Unidos | 239 | 32,2% | 58,6% | 43,5% | 0,0% |
| Reino Unido | 402 | 28,4% | 52,7% | 48,5% | 1,7% |
| Singapura | 346 | 23,4% | 45,7% | 39,0% | 0,9% |
| Polônia | 487 | 18,1% | 48,7% | 33,7% | 0,8% |
| Suíça | 495 | 17,6% | 46,5% | 34,5% | 0,8% |
| França | 290 | 17,2% | 54,8% | 30,0% | 0,3% |
| Brasil | 346 | 8,7% | 36,7% | 17,6% | 1,2% |
| Bélgica | 382 | 8,6% | 38,5% | 23,8% | 1,8% |
| Catar | 276 | 6,2% | 38,8% | 12,3% | 0,7% |
| Arábia Saudita | 291 | 2,4% | 41,2% | 4,1% | 0,7% |
| Japão | 220 | 0,9% | 41,8% | 1,8% | 0,0% |
O Japão é o caso extremo: 4 sites em 220 citam a cidade no título. E, ainda assim, 41,8% publicam lá um bloco estruturado, taxa parecida com a da Bélgica ou a do Catar. A técnica existe; falta a frase. O mesmo vale para a Arábia Saudita, com 4,1%.
Na outra ponta, os Emirados e o Reino Unido lideram a tabela por um motivo sem mistério: os títulos das páginas de lá já parecem um anúncio - empresa, ramo, cidade. Não é vantagem tecnológica, é convenção de escrita.
O que a nossa própria ferramenta nos ensinou, e o que quase publicamos errado
Uma primeira versão desta medição colocava o Japão em 0,9% de títulos citando a cidade, e a Arábia Saudita em 3,8%. Os números estavam errados, e a culpa era nossa.
Nosso leitor de títulos separava o texto em palavras nos caracteres não latinos. Em «京都デンタルクリニック» ele não encontrava palavra alguma, então nenhuma comparação era possível, então respondia «o título não diz a cidade». Isso não era uma observação sobre aquelas páginas: era uma dedução da nossa própria incapacidade de lê-las, entregue com a segurança de uma medição. Japonês, árabe, coreano, chinês, russo, grego e tailandês caíam todos no mesmo buraco.
Corrigimos - essas escritas não usam espaço entre as palavras, e a comparação que faz sentido para elas é a de conter, não a de igualdade de fichas - e relemos os 346 sites afetados. O resultado confirmou a constatação em vez de apagá-la: o Japão vai de 0,9% para 1,8%, a Arábia Saudita de 3,8% para 4,1%. O buraco era real; só estava exagerado pela nossa ferramenta.
Acrescentamos um terceiro estado a essa verificação. Quando o nome da empresa está em japonês nos nossos dados e o título da página está em romaji, os dois não se comparam: responder «não» seria acusar, responder «sim» seria bajular. A verificação passa a devolver não mensurável, e a linha some do relatório em vez de inventar um veredito. Isso vale para 25 sites, 0,7%.
Uma medição que acusa sem razão é pior do que medição nenhuma: ela não custa a linha que erra, custa as que estavam certas.
Três gestos, de graça, nesta ordem
A ordem importa: o primeiro gesto resolve os outros dois, e o terceiro não serve de nada se o primeiro não foi feito.
Confira o seu `robots.txt` uma vez e esqueça.
Abra `seusite.com/robots.txt`. Se você não vir `Disallow: /` embaixo de um `User-agent: *`, a porta está aberta e não há nada a fazer. É o caso de 99 sites em 100, e é justamente o gesto que o mercado cobra de você.
Escreva a sua cidade no título da página inicial.
«Consultório Dupont» vira «Consultório Dupont, dentista em Rouen». É a primeira linha que um motor lê, a única que ele sempre mostra, e sete empresas em dez não usam. Trinta segundos.
Publique um bloco estruturado `LocalBusiness`.
Nome, endereço, telefone, horários. Menos de um site em dois tem. É a camada que o motor lê para saber quem você é e onde fica, sem precisar adivinhar.
Nenhum desses três gestos se compra. Os três se conferem pelo navegador, no seu próprio site, sem a gente.