O endereço que a máquina não lê
Lemos 1.004 sites de pequenas empresas em seis países. Oito em cada dez publicam um endereço que uma máquina consegue ler. Os outros dois não estão fora do ar: nunca escrevem a cidade.
81%
dos sites entregam um endereço legível por uma máquina
Neste artigo
Resposta curta: uma empresa em cada cinco não publica, no próprio site, um endereço que uma máquina consiga ler. Lemos 1.004 sites de pequenas empresas em seis países. 812 nos deram uma cidade. Os outros 192 não estão fora do ar: sondados no dia seguinte, 196 de 200 serviam suas páginas normalmente. O endereço não falta por um motivo técnico, ele simplesmente não está escrito em lugar nenhum onde uma máquina procura.
61%
no Brasil, contra 99% na Suíça
196 de 200
sites mudos respondem normalmente: a ausência não é uma falha
Um site que mostra o endereço numa imagem, ou apenas num mapa interativo, está correto para o cliente e invisível para a máquina que decide se vai citá-lo.
O que medimos
Em 6 de setembro de 2026 visitamos até sete páginas por site - início, contato, aviso legal, sobre, no idioma do país - e procuramos, no TEXTO da página, um endereço postal completo: um CEP junto de um nome de cidade. Seis mercados: Reino Unido, França, Bélgica, Suíça, Polônia e Brasil. Dez segundos por página, sem executar JavaScript. Lemos o que um rastreador comum lê, não o que um humano vê num navegador completo.
Essas 1.004 empresas têm algo em comum: em nossa base, a cidade estava errada ou faltando - uma região, um condado, um país. Estávamos tentando corrigi-la lendo na fonte. Portanto não é uma amostra sorteada da economia mundial, e dizemos isso antes dos números.
Oito em cada dez, e o país muda tudo
812 sites de 1.004 nos deram uma cidade, ou seja 81%. A diferença entre países é bem maior do que qualquer diferença entre profissões, e é impressionante.
| País | Sites lidos | Endereço legível | Proporção |
|---|---|---|---|
| Suíça | 111 | 110 | 99% |
| Bélgica | 144 | 136 | 94% |
| França | 140 | 112 | 80% |
| Polônia | 129 | 103 | 80% |
| Reino Unido | 322 | 254 | 79% |
| Brasil | 158 | 97 | 61% |
Suíça e Bélgica lideram com folga, e a hipótese que ocorre é jurídica: os dois países exigem uma página de identificação da empresa - o *Impressum* suíço, as menções obrigatórias belgas - que traz o endereço da sede. O Brasil, onde nada obriga a publicar um endereço no site, fecha a lista com 61%. Não provamos essa relação; nossa medição não a testa. Registramos a coincidência e a nomeamos pelo que ela é.
Um endereço não é uma frase
O mais instrutivo não é a taxa, é o que nos fez falhar. Um endereço diluído no texto corrido não se lê: voltamos com "Code APE", "Numéro", "Let's" e "Contact" no lugar de cidades, porque essas palavras vinham logo depois de um CEP no fluxo da página. O que tivemos de aprender a tratar, um motor também precisa aprender - e nem sempre aprende.
| O que a página escreve | O que a máquina entende | A cidade real |
|---|---|---|
| 1400 Let's talk | Let's | Nivelles |
| 75008 Paris Adresse email | Paris Adresse email | Paris |
| 01-355 Warszawa zobacz na mapie | Warszawa zobacz na mapie | Varsóvia |
| SIRET … Code APE 8690F | Code APE | nenhuma |
O caso britânico merece linha própria. No Reino Unido, o que vem antes do código postal quase nunca é uma cidade: nos 152 cadastros que corrigimos, o valor original dizia "England" 55 vezes, "West Midlands" 8, "West Yorkshire" 7. Um condado não situa ninguém: há dentistas em todo o Yorkshire. Escrever "Leeds, LS1" em vez de "West Yorkshire" não é estilo, é a diferença entre ser localizável e não ser.
Por que sua cidade decide, mais do que antes
Um diretório conseguia adivinhar sua cidade: deduzia do telefone, do CEP, de uma ficha preenchida à mão dez anos antes. Um assistente de IA que responde a "um encanador em Gante" trabalha de outro jeito: lê páginas, extrai nomes e precisa ligar cada nome a um lugar. O que ele não consegue ligar, ele não oferece.
A empresa cujo site não diz a cidade não está mal classificada na resposta: ela não está entre os candidatos. A diferença é de natureza, não de grau.
O que esta medição não prova
- A amostra não é sorteada: são empresas cuja cidade já estava errada ou ausente em nossos dados. Talvez publiquem pior do que a média - ou melhor, já que o site é às vezes a única vitrine correta que têm. Não sabemos.
- Lemos o texto HTML sem executar JavaScript. Um site que monta o endereço por script, ou que só o mostra num mapa interativo, publica para um humano e não para nós. É também o que muitos rastreadores veem, mas não todos.
- No máximo sete páginas por site. Um endereço guardado numa oitava página nos escapou.
- Ler um endereço não é o mesmo que ser citado por um assistente de IA. Isto mede a legibilidade de um dado, não uma posição numa resposta.
- A relação entre obrigação legal e taxa de publicação é uma hipótese que esta medição não testa.
O que muda para você
Escreva o endereço como texto, num bloco próprio.
Não no meio de uma frase, não numa imagem, não apenas num widget de mapa. CEP e cidade precisam ficar juntos.
Dê a cidade, nunca a região.
"Normandia", "England", um estado brasileiro: nada disso situa uma empresa. A cidade, e o CEP.
Coloque na página inicial, ou num contato a um clique.
Procuramos em sete páginas; um motor nem sempre é tão paciente.
Uma forma só, em todo lugar.
A mesma escrita no site, nos cadastros, nas redes. Duas grafias de um mesmo endereço são, para uma máquina, às vezes duas empresas.
Confira o que um rastreador vê
, não o que seu navegador mostra: abra o código-fonte da página inicial e procure o seu CEP. Se ele não estiver lá, sua cidade também não está.
Você pode ver em um minuto, de graça e sem conta, o que os assistentes de IA respondem quando alguém procura a sua profissão na sua cidade.