
A IA diz verde 135 vezes e cita um único selo
Em 16.022 trechos que recomendam uma empresa, o ChatGPT e o Gemini dão um motivo ambiental 135 vezes. Um único cita um selo; 57 são adjetivos soltos.
135 de 16.022
trechos que recomendam uma empresa dão um motivo ambiental (0,8%)
Neste artigo
Resposta curta: quando o ChatGPT ou o Gemini recomendam uma empresa, dão um motivo ambiental em 135 trechos de 16.022, ou 0,8%. 77 citam produtos ou ingredientes orgânicos, 57 usam um adjetivo solto ("eco-friendly", "sustentável", "verde"), e um único cita um selo. O motivo vive nas padarias, nos restaurantes e nos salões; nos outros ofícios, quase não aparece. E as palavras mudam com o país: na França, 33 de 35 menções dizem "bio" (orgânico); nos Estados Unidos, 29 de 35 são adjetivos genéricos, o tipo de alegação que a União Europeia não deixa mais uma empresa fazer sobre si mesma sem prova desde 27 de setembro de 2026.
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cita um selo (B Corp); 57 são adjetivos soltos como eco-friendly
33 de 35
menções francesas dizem bio (orgânico); nos EUA, 29 de 35 são adjetivos genéricos
A IA repete o adjetivo, raramente a prova.
O que foi medido
Nossos quatro estudos, relidos em 5 de outubro de 2026: as mesmas perguntas de comprador ("a melhor padaria de São Paulo", "um bom salão de beleza em Seattle") feitas ao ChatGPT (gpt-4o-mini) e ao Gemini pelas suas APIs, sem busca na web, nos Estados Unidos (coleta de 13 de setembro de 2026), no Reino Unido (31 de julho), na França (30 de julho) e no Brasil (6 de agosto). 3.600 respostas divididas em trechos; ficamos com os 16.022 que nomeiam uma empresa, com a mesma limpeza das edições recentes. Em cada um, procuramos um motivo ambiental, em português, inglês e francês, separado de três jeitos: orgânico ("pães orgânicos", "organic flour", "farines bio"), adjetivo genérico ("sustentável", "ecológico", "eco-friendly", "respectueux de l'environnement") e selo nomeado (B Corp, LEED, Green Key, Ecolabel). O detector foi testado em 14 frases que precisa pegar e 10 que não pode contar ("crescimento sustentável", "tráfego orgânico", "Bethnal Green"). Depois lemos cada trecho guardado, 152 no total, e tiramos 17: uma marca de cosméticos chamada Biologique Recherche, "orgânico" no sentido de resultados de busca, sustentabilidade vendida como consultoria, conselhos ao leitor, chaveiros de madeira de Manaus contados como chaveiros de profissão, e um nome de exemplo. Ficaram 135.
| País | Trechos | Motivo ambiental | Orgânico | Adjetivo genérico | Selo nomeado |
|---|---|---|---|---|---|
| Estados Unidos | 4.268 | 35 (0,8%) | 6 | 29 | 0 |
| Reino Unido | 4.223 | 42 (1,0%) | 27 | 14 | 1 |
| França | 3.155 | 35 (1,1%) | 33 | 2 | 0 |
| Brasil | 4.376 | 23 (0,5%) | 11 | 12 | 0 |
| Total | 16.022 | 135 (0,8%) | 77 | 57 | 1 |
Padarias e salões: onde vive o motivo verde
Padarias e restaurantes dão um motivo ambiental em 4,4% dos seus trechos, salões de beleza e cabeleireiros em 4,0%. Farinha orgânica, produtos orgânicos e naturais, um cardápio feito de ingredientes locais e sustentáveis: nesses ofícios, o motivo faz parte do que o cliente compra. Os hotéis vêm depois, com 1,1%, e os reparos em casa com 0,6%, sobretudo empresas de aquecimento e ar-condicionado. Em 9.793 trechos sobre advogados, contadores, corretores de seguros, imobiliárias, dentistas, oficinas e agências, o motivo aparece 7 vezes. O ChatGPT o dá um pouco mais que o Gemini, em 0,9% dos seus trechos contra 0,7%, e com mais adjetivos soltos: 43 das suas 92 menções, contra 14 das 43 do Gemini.
| Ofícios | Trechos | Motivo ambiental | Parcela |
|---|---|---|---|
| Padarias e restaurantes | 910 | 40 | 4,4% |
| Salões de beleza e cabeleireiros | 1.515 | 60 | 4,0% |
| Hotéis | 988 | 11 | 1,1% |
| Reparos em casa (encanadores, eletricistas, aquecimento e ar-condicionado, chaveiros) | 2.816 | 17 | 0,6% |
| Todos os outros ofícios (advogados, contadores, seguros, imobiliárias, dentistas, oficinas, agências…) | 9.793 | 7 | 0,1% |
| Total | 16.022 | 135 | 0,8% |
Um selo em 135
Dos 135 motivos ambientais, um único cita um selo: uma agência de recrutamento de Bristol, a ADLIB, recomendada pelo Gemini por ser "B-Corp certified". Todo o resto é uma palavra em que o leitor precisa acreditar. O orgânico é a mais concreta delas, 77 menções, muitas vezes com um produto junto ("farinha orgânica", "produtos orgânicos"). Os 57 genéricos são adjetivos: "soluções de encanamento ecológicas", "design ecológico e foco em sustentabilidade", "dá ênfase a produtos ecológicos". E em 12 desses 57, o próprio nome da empresa já faz a alegação: Green Planet Plumbing, Green Air Care, Enviro-Air, Eco Clima. Não sabemos dizer se o nome levou o modelo até ali; sabemos dizer que a resposta não acrescenta nada que o nome já não tivesse dito. É o padrão que vimos com os prêmios: uma distinção chega à resposta quando há por trás um juiz que o leitor reconhece (a IA raramente cita um prêmio, e dois em cinco são do Michelin).
Desde 27 de setembro, a UE pede a prova
A Diretiva (UE) 2024/825, de 28 de fevereiro de 2024, lida no EUR-Lex, acrescenta uma prática à lista das proibidas em quaisquer circunstâncias: a alegação ambiental genérica que a empresa não consegue apoiar num desempenho ambiental de excelência reconhecido. Os Estados-Membros deviam adotar as regras até 27 de março de 2026 e aplicá-las a partir de 27 de setembro de 2026. Os exemplos que a diretiva dá (na versão em inglês, "environmentally friendly", "eco-friendly", "green", "ecological", "climate friendly") são quase palavra por palavra o que contamos. Dois limites importam. A regra vale para o que uma empresa diz de si mesma aos consumidores, não para o que um assistente de IA escreve sobre ela. E as nossas respostas francesas foram coletadas em 30 de julho, antes de ela valer. O que muda está do lado da empresa: na UE, o adjetivo solto que os assistentes gostam de repetir passou a ser uma alegação que ela precisa poder provar quando a escreve nas próprias páginas.
O que isso muda se você é a empresa
Se você tem uma padaria, um restaurante, um salão ou um hotel, o motivo ambiental é um dos argumentos que o assistente usa, em cerca de um trecho a cada vinte e cinco nos dois primeiros. Ele repete o que está escrito, e o que repete hoje é sobretudo um adjetivo. O fato que vai mais longe é o fato preciso: qual selo, dado por quem, quais produtos são orgânicos, qual fornecedor, desde quando, escritos com clareza e do mesmo jeito no site, na ficha do mapa e nos diretórios que listam você. Na União Europeia, isso deixou de ser só uma questão de estilo: um "ecológico" genérico na sua própria página é uma alegação que você precisa poder sustentar. Se você é encanador, advogado ou contador, o motivo ambiental não é o que faz a resposta. Nada disso garante ser nomeado.
O que esta medição não prova
- São as respostas dos modelos pelas suas APIs, sem busca na web: o jeito como a nossa auditoria pergunta. Com a busca ativada, os aplicativos podem escrever de outro jeito.
- Quatro estudos coletados entre 30 de julho e 13 de setembro de 2026, uma passagem por pergunta. Os modelos mudaram desde então, e nada aqui mede essa deriva.
- Um vocabulário deixa passar motivos ditos de outro jeito: 135 é um piso. Os 152 trechos guardados foram lidos um a um; os 17 retirados estão listados, cada um com o seu motivo, nos nossos arquivos de medição.
- Não verificamos se as empresas nomeadas têm de fato as qualidades que as respostas lhes atribuem, orgânicas ou outras.
- A diretiva é citada pelo que exige das empresas na UE. Nada aqui é aconselhamento jurídico, e a medição é anterior à sua aplicação.
Perguntas frequentes
A IA recomenda uma empresa por ela ser ecológica?
A IA menciona selos ambientais?
Minha empresa ainda pode se dizer ecológica na UE?
De onde vêm esses números?
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